O QUE FARIAS NUM DESERTO SÓ COM UM GLOSS?!

Capítulo 1 – A despedida:




- Filha! Despacha-te! O comboio não espera por nós! – gritou a minha mãe.

-Já vou! – disse eu, muito em baixo, por ter de deixar a minha casa.

Olhei para a única coisa minha que aquele quarto ainda tinha, uma moldura cor-de-rosa com um urso a dizer "MELHORES AMIGOS PARA SEMPRE" e por dentro tinha uma foto marcante de mim e das duas das pessoas mais importantes da minha vida! O querido Xavier e a magnífica Íris... Confesso que uma lágrima correu no meu rosto triste. Porque era tão difícil ter de voltar a separar-me das pessoas mais importantes da minha vida?!

Explicando melhor o porquê de me separar outra vez das pessoas mais importantes da minha vida, o que aconteceu é que quando eu era pequenina, era uma menina muito feliz e alegre por ter a família perfeita, mas, com a grande reviravolta na minha vida á cinco anos, tornei-me uma rapariga reservada, e por isso não arranjava amigos assim tão facilmente. Mas, quando tive de mudar de escola, porque ia para o terceiro ciclo, bastou um dia para arranjar dois amigos bestiais, a Íris e o Xavier, os meus melhores amigos neste momento. Conheci-o Xavier primeiro, porque ele quando me viu pela primeira vez, veio logo ter comigo para perguntar se queria ajuda para conhecer a escola, pois nessa altura ele estava no 8º ano e eu a entrar para o 7º, achei-o tão chato mas querido ao mesmo tempo, que foi estranho, mas ele agora já me disse que quando me viu foi amor á primeira vista, mas que agora já não gosta de mim. E foi assim que conheci o Xavier, ele ajudou-me a encontrar a minha sala, e ao mesmo tempo estava a meter-se sempre comigo, eu nunca lhe dava conversa porque era muito tímida e reservada nessa altura. Era antipática com as pessoas, e tentava sempre afastá-las porque tinha medo de que se me aproxima-se demais de alguém, esse alguém podia me trair como fez o meu pai. Bem… A Íris, conhecia na minha turma, ficamos sentadas uma ao pé da outra na primeira aula e ela foi a única pessoa que consegui simpatizar, ia metendo conversa comigo e eu respondia, tornámos-nos logo amigas no primeiro dia, e quando acabaram as aulas ela foi ter com o primo para irem para casa, e qual foi o meu espanto quando era o Xavier, ele ficou todo contente de perceber que eu era amiga da Íris, ainda me lembro da conversa quando nos juntámos os três, foi mais ou menos assim: O Xavier estava sentado nas escadas, virado de costas para nós, á espera da Íris quando nós chegamos:

- Olá Xavier! – disse a Íris a sorrir, ele se virou para trás, viu-me, sorriu e levantou-se.

- Olá! – disse ele a olhar para mim.

- Bem, esta é a… - apresentava-me a Íris.

- Nós já nos conhecemos! Aliás, ela conhece-me, eu nem sei o nome dela! – disse o Xavier a rir, de mãos nos bolsos, a olhar para o chão e a desviar o olhar para mim.

- A sério? Como? – disse a Íris a sorrir e a olhar para mim.

- Sim, foi esse chato… Ai desculpa, esse menino que me veio perguntar se queria ajuda para conhecer a escola! – disse eu, muito ironicamente de braços cruzados a olhar para o Xavier que se estava a rir.

- Xavier… És sempre a mesma coisa! – disse a Íris.

- Peço desculpa, está-me no sangue meter-me com raparigas bonitas como tu! – disse o Xavier a olhar para mim e a rir.

- Podias escolher um piropo melhor! – disse eu com um pequeno sorriso a olhar para ele, vá lá, naquele momento até já estava a simpatizar com ele, mas quando o conheci ele parecia um chato.

- Peço desculpa, mas não sou perito em piropos! – disse o Xavier.

- Então não deves arranjar muitas raparigas, porque a experiência faz o mestre! – disse eu a responder-lhe a letra e a sorrir.

- Ihh, que boca! – disse a Íris a rir-se.

- Vá, diz lá qual é o teu nome! – disse o Xavier com cara de cachorrinho abandonado, que me convenceu.

- Ok… Sou a Solange! – disse eu a sorrir.

- Umhh, Solange, gosto! Mas Sol não era melhor? – disse o Xavier.

- Umhh, Sol? Até que gosto! – disse a Íris a olhar para mim.

- Sim, até tens bom gosto! – disse eu.

E assim foi, fiquei com este nome! E foi assim que nos conhecemos a todos. A partir daí eles ajudaram-me em tudo o que precisei, e tornaram-me na rapariga feliz e alegre que era em pequena, porque me devolveram a minha alegria de viver. Ajudámo-nos uns aos outros nos primeiros dias de escola e a ultrapassar uma fase muito difícil da minha vida, que ainda não tinha ultrapassado, a separação de mim da pessoa mais importante da minha vida. A pessoa que me viu nascer, crescer, que me ajudou a crescer no amor e na alegria de criança. Mas tiraram-me essa pessoa, tiraram-me o meu “chão”, tiraram-me a minha alegria, a vontade de viver, a vontade de lutar contra tudo o que a vida tem de mal, arrancaram-me a minha felicidade, foi como se me tivessem tirado uma parte de mim, a parte que me faz viver, tiraram-me … Tiraram-me o meu pai. No momento em que o perdi senti-me a cair. O meu pai separou-se da minha mãe há 5 anos, e não sei porquê nunca mais soube nada sobre ele, como está, com quem está, nada! Eu mando-lhe cartas a todo o momento, pois dizem-me que ele está em Paris numa escola de artes plásticas, como professor, e eu peço à minha mãe para lhe mandar as cartas, mas nunca recebo resposta. A minha mãe diz que é normal, pois ele tornou-se num homem que ela nunca pensou e por isso acredita que ele nem sequer me responda. Mas, tive o apoio incondicional da Íris e o seu carinho especial, e a determinação e a força do Xavier, para acabar por ultrapassar isto tudo. E por isto é que não me vejo a sair daqui, de Braga para Évora, só para ir viver com o futuro e riquíssimo marido da minha mãe numa mansão melhor que a Casa Branca em Washington! Ele não me inspira muita confiança, não vou com a cara dele, mas que ele é espectacular com a minha mãe e nota-se que a ama, sim, isso não posso negar, mas é que… Não o consigo ver como um novo pai. O coitado do Jorge já á 2 anos que bem tenta que eu o aceite mas eu não consigo, não sei porquê! Mas só sei é que tenho de ir, sou obrigada, mas não quero nada mesmo.

Naquele momento, agarrei nas minhas malas, limpei as lágrimas e abri a porta, sorri, embora estando triste, e fui ter com a minha mãe...
- Sol! Solange Maria, despacha te! – gritou mais uma vez a minha mãe.

- Estou a ir mãe! – disse eu a descer as escadas com as malas em caminho para o táxi para ir para o comboio, pois porque pelo meu futuro padrasto íamos de jacto privado, mas a minha mãe recusou.

Entrei no táxi e lá fui eu. A minha mãe tinha um sorriso estampado na cara que ia de uma orelha á outra, e isso num certo modo assustava-me, porque eu estava tão triste e a minha mãe tão feliz. Pois, até tem razões, vai passar a ser só uma dona de casa, deixar o trabalho, vai viver com o seu grande amor e viver com a sua linda filhinha, é pena é que ás vezes eu não sou bem assim, sou uma rapariga que gosta de ser discreta, vive no seu mundo, sempre com uns jeans justos e umas T-shirts largas… Mas pela minha mãe andava de vestido todo o dia e era uma princesinha, como devem ser as queridas filhinhas do Jorge. Bem… voltando á viagem, estava eu a chegar á estação com a minha mãe com as malas na mão e a correr por achar-mos que estávamos atrasadas mas afinal quando lá chegámos ouvimos: ”Pedi-mos desculpa, caros passageiros do comboio para Évora mas o comboio encontra-se atrasado por 20 minutos, obrigado por a compreensão!”.

- Fixe! – disse eu e a minha mãe ficou a olhar para mim. – É verdade, quando mais tarde melhor.

- Filha, é o melhor para nós e para a nossa futura família! – disse a minha mãe agarrando-me na mão, vermelha e cansada de correr com as malas.

Fomos interrompidas por o toque do meu telemóvel, era o Xavier:

“ Eu: Olá Xavi, então que se passa?

Xavier: Olá Sol, onde estás?

Eu: Na estação de comboios…

Xavier: Mais propriamente onde?

Eu: Á porta da linha dois.

Xavier: E mais ou menos atrás de…?”

E foi nesse momento que me viro para trás e vejo os meus dois melhores amigos, ali á minha espera, a Íris com os seu olhos verdes cheios de lágrimas a correr para mim para me abraçar e o Xavier a vir ter comigo lentamente a tentar esconder as lágrimas, mas não estava a conseguir.

- Eu não acredito pessoal! Vieram aqui! – disse eu muito feliz por ter comigo os meus melhores amigos.

- Achas que éramos capazes de te ver ir para Évora sem nos despedirmos?! – disse o Xavier.

- Sol, eu não posso falar muito porque desato a chorar. – disse a Íris, deixando-me a rir mais o Xavier – Nós queríamos dar-te isto para recordação de nós os três.

A Íris retira da mala uma caixa azul escura com um laço brilhante e deu-me a.

- Oh pessoal… O que é isto? – perguntei eu.

- Abre e cala-te chatinha! – disse o Xavier.

E eu abri, era um colar lindo com um pendente em forma de estrela brilhante dourada, que por dentro tinha uma foto minha com a Íris e o Xavier, quando nós fomos a uma feira em que nos tiraram fotos, á 2 anos. Voltei a chorar naquele momento, e o Xavier puxou-me de lado, envolveu-me nos braços acabando por me abraçar com uma força agradável, deixando-me a sorrir. Não sei porquê aquele abraço senti … Algo que nunca tinha sentido… Felicidade pura misturada com nervosismo e não percebi bem porquê mas senti ali naquele momento uma ponta de romantismo. Ali abraçados na estação o Xavier disse me ao ouvido:

- Daqui a 2 semanas, tu vens cá a Braga para o teu baile de finalistas, queres vir comigo ao baile? – convidou me o Xavier de uma maneira tão doce que eu abanei a cabeça que sim e… Uauh, ele deu me um beijo na cara e fiquei toda derretida. É tão estranho… O Xavier? Eu apaixonar-me pelo Xavier? É verdade que aqueles olhos azuis lindos e profundos e o cabelo loiro e lindo sempre me deixaram derretida, mas nunca pensei nele como namorado… Sem duvida que ele é o modelo de rapaz que sempre desejei, mas ele?! O meu melhor amigo? É estranho…

- Sol?! – perguntou a Íris, porque viu que eu estava na lua com aquele beijo.

- Ã?! Eu?! Diz… - disse eu assim um bocado atordoada.

- Gostaste do colar? É que começas-te a chorar e isso é só normal meu… - disse a Íris a rir.

- Adorei e estava a chorar porque não me imagino sem vocês! – disse eu , a limpar as lágrimas.

- Sim, mas tiveste logo o apoio aqui do primo Xavier que acho que está a dormir em pé! – disse ironicamente a Íris, e bateu nas costas do Xavier – Oh rapaz! Xavier?

- Eu?! - disse o Xavier, tanto ou mais atordoado que eu. – Desculpem, de que estavam a falar?

- Nada, nada. – disse eu e Íris em coro e a rir.

- Filha! Desculpem interromper meninos mas o comboio deve estar aí a vir! – avisou a minha mãe

O Xavier abraçou me outra vez de lado e fomos a trocar sorrisos e olhares até á linha do comboio! Ele estava diferente para mim naquele momento… Ele sempre foi um amigo, um amigo especial, e agora naquele momento era mais que isso sem dúvida, ele até me levou a minha mala. E no meio disto tudo a Íris e a minha mãe só se riam atrás de nós e diziam coisas como: “ Fazem um par bonitinho!”, “Ele sempre gostou dela, mas acho que ela também gosta e não é pouco!”. E é verdade, foi como um click!

E lá vem… O transporte para outro mundo! O mundo que não queria ir! Mas tem de ser!

- Anda filha vem! – disse a minha mãe.

Eu soltei o Xavier, larguei as malas e corri para a Íris dei lhe uma abraço enorme e uma beijo na cara!

- Nunca te esqueças de mim, melhor amiga! – disse a Íris a chorar muito mesmo.

- Nunca, nunca! – disse eu a chorar, abraçada a ela.

E depois fui ter com o Xavier e ele colocou-me o fio que eles me deram, abraçou-se a mim e voltou a dar-me aqueles beijos na testa que só ele sabe dar.

- Eu adoro-te miúda, sempre gostei de ti, desde do primeiro momento em que te melguei! – disse o Xavier para mim a dar me uma festa na cara.

- Agora não é o melhor momento Xavier… Falamos no baile por favor… - disse eu deixando o Xavier cabisbaixo – Dás me tempo?

Ele abana a cabeça a dizer que sim e a sorrir, abraçámo-nos e dei-lhe um beijo enorme na cara, e fui embora.

Olho para trás e vejo o Xavier triste e feliz ao mesmo tempo e a Íris a chorar imenso. Eu não queria ir mas teve de ser mesmo!

Entro no comboio a chorar, não queria mas a minha mãe abraçou-me e fomos.

- Anda querida, temos mesmo de ir! – dizia a minha mãe e naquele momento só me apetecia sair do comboio , largar tudo e dar um beijo enorme ao Xavier e um abraço á Íris e dizer: “ Fico aqui com vocês para sempre, nada me vai tirar daqui!”


Capítulo 2 – Cidade desconhecida:



“Próximo destino, estação de Évora.” Ouvi eu dentro do comboio.

- Boa! Que festa! – disse eu ,ironicamente.

- Filha, sê simpática para Jorge e com a família dele! – disse a minha mãe.

- Quantos anos mais propriamente têm as filhas dele? – perguntei eu.

- A Catarina é da tua idade e a Bianca tem 17 anos! – disse a minha mãe.
- Ui, espero que sejam simpáticas pelo menos! – disse eu.

- Vais ver que sim! Olha eu gosto muito delas e elas até simpatizam comigo! Filha, não compliques as coisas! – disse a minha mãe, disse a minha mãe muito preocupada – Por favor?!

- Ok, vou tentar… - disse eu.

Levantámo-nos e dirigimo-nos á porta de saída do comboio. A porta abriu-se e… Uauh, que recepção! Estavam lá á vontade 20 pessoas, empregados da quinta (sim a mansão do Jorge afinal é uma quinta disse a minha mãe no meio da viagem!), as filhas deles todas bem vestidas, amigos, família, e claro, o Jorge!

- Bem-vindas! – gritaram todos.

A minha mãe ria-se e correu para o Jorge, para lhe dar um beijo. A primeira pessoa que veio ter comigo foi a Bianca e um rapaz, e muito bem-parecido por sinal, para me ajudarem com a mala.

- Olá, sou a Bianca, a tua nova meia-irmã! – disse a Bianca, ela tem um ar muito simpático e é realmente parecida com o Jorge.

- Olá, prazer em conhecer-te, sou a Solange, Sol para os amigos! – disse eu da maneira mais simpática que consegui.

- Então posso começar a te chamar Sol? – disse a Bianca a rir.

- Á vontade. – disse eu a rir também.

- Bem este rapaz que está aqui connosco, com vergonha de falar é o Peter, é um empregado da quinta do meu pai que veio de França á 2 meses, tem 15 anos e é o namorado da… - disse a Bianca, mas foi interrompida pela Catarina.

- Da… Catarina! O meu namorado! – disse a Catarina com um ar de convencida que não me agradou muito.

- Muito prazer, Peter. – disse eu, dando dois beijos na cara ao Peter, quando olhei para ele é que percebi que ele também era bem bonito, loiro de olhos azuis como eu e parecia me muito tímido.

- O prazer é todo meu! – disse o Peter, sorrindo e a olhar me nos meus olhos.

- Falas muito bem Português! Já estás em Portugal há muito tempo? – perguntei eu.

- Nasci na França e vivi lá até aos 8 anos, vim para Portugal á 6 anos voltei para França passado um ano. Mas vim trabalhar com o senhor Jorge, á 2 meses. – disse o Peter.

- É, o nosso Peter é o orgulho da nossa quinta. – disse a Bianca, deixando nos a rir, menos á Catarina. Ela é estranha, é bonita, mas veste-se de uma maneira muito á princesinha, mesmo como eu pensava, e tem muita mania! Só me faz lembrar as raparigas mais populares na minha escola em Braga que eu, a Íris e o Xavier odiávamos.

- Ele é sem duvida o meu orgulho! – disse a Catarina, com um ar de extravagância, outra vez. – Bem, ainda não me apresentei, sou a Catarina Ventura, tenho a tua idade, e sou a namorada desta beldade!

- Prazer em conhecer-te – disse eu, preparada para mandar uma boca á Catarina – Sou a Solange Tavares, Sol para a tua irmã e não tenho nenhum namorado, não propriamente!

Deixei toda a gente a rir ali, menos a Catarina. Acho que ela não vai com a minha cara, mas não me importa! Eu também não vou com a dela!

- Olá meninas, e menino! – disse o Jorge , abraçado á minha mãe – Então já se apresentaram? – nós abanámos a cabeça a dizer que sim e continuámo-nos a rir – Parece que isto aqui está animado!

- Sim, foi aqui a nossa Sol que contou uma piada engraçada, pai! – disse a Bianca, ainda a rir.

- Ai sim?! Então qual é? – perguntou o Jorge e continuámos a rir sem dizer nada - Umhh ok , não digam, mas Sol eu acho que não é preciso me apresentar, não é ?

- Sim não é preciso… - disse eu a rir.

- Mas porque é que toda a gente te chama Sol, menos eu, Solange? – perguntou-me a Catarina.

- Porque, Sol, é para os amigos! – disse a Bianca, pondo-nos todos a rir, outra vez, mas também mais uma vez, só a Catarina é que não se riu. Naquele momento estava a começar a gostar da Bianca, é uma rapariga muito simpática e um sentido de humor parecido com o meu.

- Bom, vamos para a quinta? – perguntou o Jorge.

- Vamos! – disseram todos.






(Continua...)








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