Queridos leitores,
Aqui está o meu "projecto" que vos falei... É apenas um livro "juvenil" que ando a escrever já há algum tempo, que se chama "O que farias num deserto só com um gloss?!"... É estranha esta minha escolha de titulo não é?! Mas foi algo que me ocorreu quando comecei o projecto.
Bom deixo aqui o início deste "livro", espero que gostem e deixem a vossa marca (opinião) sobre este meu projecto. :)
Capítulo 1 – A despedida:
- Filha! Despacha-te! O comboio não espera por nós! – gritou a minha mãe.
-Já vou! – disse eu, muito em baixo, por ter de deixar a minha casa.
Olhei para a única coisa minha que aquele quarto ainda tinha, uma moldura cor-de-rosa com um urso a dizer "MELHORES AMIGOS PARA SEMPRE" e por dentro tinha uma foto marcante de mim e das duas das pessoas mais importantes da minha vida! O querido Xavier e a magnífica Íris... Confesso que uma lágrima correu no meu rosto triste. Porque era tão difícil ter de voltar a separar-me das pessoas mais importantes da minha vida?!
Explicando melhor o porquê de me separar outra vez das pessoas mais importantes da minha vida, o que aconteceu é que quando eu era pequenina, era uma menina muito feliz e alegre por ter a família perfeita, mas, com a grande reviravolta na minha vida á cinco anos, tornei-me uma rapariga reservada, e por isso não arranjava amigos assim tão facilmente. Mas, quando tive de mudar de escola, porque ia para o terceiro ciclo, bastou um dia para arranjar dois amigos bestiais, a Íris e o Xavier, os meus melhores amigos neste momento. Conheci-o Xavier primeiro, porque ele quando me viu pela primeira vez, veio logo ter comigo para perguntar se queria ajuda para conhecer a escola, pois nessa altura ele estava no 8º ano e eu a entrar para o 7º, achei-o tão chato mas querido ao mesmo tempo, que foi estranho, mas ele agora já me disse que quando me viu foi amor á primeira vista, mas que agora já não gosta de mim. E foi assim que conheci o Xavier, ele ajudou-me a encontrar a minha sala, e ao mesmo tempo estava a meter-se sempre comigo, eu nunca lhe dava conversa porque era muito tímida e reservada nessa altura. Era antipática com as pessoas, e tentava sempre afastá-las porque tinha medo de que se me aproxima-se demais de alguém, esse alguém podia me trair como fez o meu pai. Bem… A Íris, conhecia na minha turma, ficamos sentadas uma ao pé da outra na primeira aula e ela foi a única pessoa que consegui simpatizar, ia metendo conversa comigo e eu respondia, tornámos-nos logo amigas no primeiro dia, e quando acabaram as aulas ela foi ter com o primo para irem para casa, e qual foi o meu espanto quando era o Xavier, ele ficou todo contente de perceber que eu era amiga da Íris, ainda me lembro da conversa quando nos juntámos os três, foi mais ou menos assim: O Xavier estava sentado nas escadas, virado de costas para nós, á espera da Íris quando nós chegamos:
- Olá Xavier! – disse a Íris a sorrir, ele se virou para trás, viu-me, sorriu e levantou-se.
- Olá! – disse ele a olhar para mim.
- Bem, esta é a… - apresentava-me a Íris.
- Nós já nos conhecemos! Aliás, ela conhece-me, eu nem sei o nome dela! – disse o Xavier a rir, de mãos nos bolsos, a olhar para o chão e a desviar o olhar para mim.
- A sério? Como? – disse a Íris a sorrir e a olhar para mim.
- Sim, foi esse chato… Ai desculpa, esse menino que me veio perguntar se queria ajuda para conhecer a escola! – disse eu, muito ironicamente de braços cruzados a olhar para o Xavier que se estava a rir.
- Xavier… És sempre a mesma coisa! – disse a Íris.
- Peço desculpa, está-me no sangue meter-me com raparigas bonitas como tu! – disse o Xavier a olhar para mim e a rir.
- Podias escolher um piropo melhor! – disse eu com um pequeno sorriso a olhar para ele, vá lá, naquele momento até já estava a simpatizar com ele, mas quando o conheci ele parecia um chato.
- Peço desculpa, mas não sou perito em piropos! – disse o Xavier.
- Então não deves arranjar muitas raparigas, porque a experiência faz o mestre! – disse eu a responder-lhe a letra e a sorrir.
- Ihh, que boca! – disse a Íris a rir-se.
- Vá, diz lá qual é o teu nome! – disse o Xavier com cara de cachorrinho abandonado, que me convenceu.
- Ok… Sou a Solange! – disse eu a sorrir.
- Umhh, Solange, gosto! Mas Sol não era melhor? – disse o Xavier.
- Umhh, Sol? Até que gosto! – disse a Íris a olhar para mim.
- Sim, até tens bom gosto! – disse eu.
E assim foi, fiquei com este nome! E foi assim que nos conhecemos a todos. A partir daí eles ajudaram-me em tudo o que precisei, e tornaram-me na rapariga feliz e alegre que era em pequena, porque me devolveram a minha alegria de viver. Ajudámo-nos uns aos outros nos primeiros dias de escola e a ultrapassar uma fase muito difícil da minha vida, que ainda não tinha ultrapassado, a separação de mim da pessoa mais importante da minha vida. A pessoa que me viu nascer, crescer, que me ajudou a crescer no amor e na alegria de criança. Mas tiraram-me essa pessoa, tiraram-me o meu “chão”, tiraram-me a minha alegria, a vontade de viver, a vontade de lutar contra tudo o que a vida tem de mal, arrancaram-me a minha felicidade, foi como se me tivessem tirado uma parte de mim, a parte que me faz viver, tiraram-me … Tiraram-me o meu pai. No momento em que o perdi senti-me a cair. O meu pai separou-se da minha mãe há 5 anos, e não sei porquê nunca mais soube nada sobre ele, como está, com quem está, nada! Eu mando-lhe cartas a todo o momento, pois dizem-me que ele está em Paris numa escola de artes plásticas, como professor, e eu peço à minha mãe para lhe mandar as cartas, mas nunca recebo resposta. A minha mãe diz que é normal, pois ele tornou-se num homem que ela nunca pensou e por isso acredita que ele nem sequer me responda. Mas, tive o apoio incondicional da Íris e o seu carinho especial, e a determinação e a força do Xavier, para acabar por ultrapassar isto tudo. E por isto é que não me vejo a sair daqui, de Braga para Évora, só para ir viver com o futuro e riquíssimo marido da minha mãe numa mansão melhor que a Casa Branca em Washington! Ele não me inspira muita confiança, não vou com a cara dele, mas que ele é espectacular com a minha mãe e nota-se que a ama, sim, isso não posso negar, mas é que… Não o consigo ver como um novo pai. O coitado do Jorge já á 2 anos que bem tenta que eu o aceite mas eu não consigo, não sei porquê! Mas só sei é que tenho de ir, sou obrigada, mas não quero nada mesmo.
Naquele momento, agarrei nas minhas malas, limpei as lágrimas e abri a porta, sorri, embora estando triste, e fui ter com a minha mãe...
(CONTINUA...)
RaparigaDosOlhosFalantes :)

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